“Estando eles aflitos, ansiosamente me buscarão”, Os.5:15

Perdas e adversidades são com muita frequência os meios que o Grande Pastor usa para buscar suas ovelhas perdidas pelos vales da perdição. Os cães selvagens tratam de empurrar as que se perdem de volta ao rebanho. Não será possível tornar os leões mansos e domesticados, caso estes tenham comida em abundância. Terão de ser trazidos da sua força através dos seus estômagos e logo se submeterão ao seu domesticador. Será assim também que vemos, muitas vezes, os crentes a sujeitarem-se ao seu Criador e Conhecedor através da falta de pão e de trabalhos árduos de opressão. Assim que as riquezas aumentam, muitos dos que professam tornam-se levianos e falam como se o mundo lhes pertencesse e que Deus os apoia nisso, tendo Deus sujeito a eles. Tal como David fez, dizem “Quanto a mim, dizia eu na minha prosperidade: Jamais serei abalado”, Sal.30:6. Assim que os crentes crescem em suas riquezas, em boa reputação, em saúde, em felicidade familiar, com frequência o Sr. Segurança Carnal assenta-se em suas mesas e festeja com eles e caso tal pessoa seja de facto um filho de Deus genuíno, a vara trata de o colocar em seu lugar. Espere um momento e verá que toda a sua substância se derreterá perante seus olhos. Uma certa porção de sua terra mudará de mãos logo ali. As dividas, as contas desonrosas, com que rapidez estas estarão à porta exigindo seu quinhão daquilo que possui, sem se saber quando terminará tal coisa! Mas pode ser um sinal evidente de vida batendo à porta, quando estes embaraços nos assolam uns atrás dos outros, inquietando-se assim com um e outro, roendo o espírito e alma por causa da apostasia e empurrando para seu Deus. Abençoadas serão essas ondas de mal que empurram qualquer marinheiro contra as rochas da salvação. As perdas nos negócios são frequentemente coisas santificadoras para a alma dum crente. Se a alma escolhida não entrar nos caminhos do Senhor quando está de mãos cheias e a abarrotar, poderá vir a Ele vazia. Caso Deus, em Sua graça, nunca ache outros meios de santificação, ele lançará uma alma na aflição. E se mesmo assim continuarmos a honrar-nos a nós mesmos e nunca a Ele e isto até no auge da prosperidade, a pobreza nos alcançará de pronto. Mas não desmaie por essa razão, herdeiro de tristeza, quando vier a ser repreendido dessa forma, antes reconheça a mão caridosa que castiga para que você não tenha mais porque ser castigado e possa dizer sob aflição ainda: “Levantar-me-ei e irei ter com meu Pai” como fez o filho pródigo.